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Uma mulher misteriosa - 24Jan2010 20:20:00
Saio deste quarto minúsculo, mais parece uma caixa de fósforos. De forma rectangular, minúsculo que nem dá para meter um armário. Estico os meus braços deitado na minha cama e quase que atinjo a parede do outro lado desta caixa. Parede esta, cheia de buracos, com um simples desenho para preencher este vazio do meu quarto. Tenho o privilégio de estar num quarto só para mim e de ter um espelho. A porta range sempre que se abre, já falei com a senhoria mas ela finge que não me ouve? ou então não me ouve mesmo, pois coitada já há muito passou o tempo da sua validade tem quase 90 anos, porém para gritar e coscuvilhar a vida alheia está sempre cheia de genica.
Saiu do quarto, pois já me esta a sufocar e fico mais deprimido quando estou lá, com isto, estou seguro que nunca mais terei claustrofobia, a única coisa boa deste quarto. Vou deambulando pela rua meio vazia? a noite veste-se de gala, aperalta-se toda, pois a lua está brilhante como nunca a vi, incandescente brilho que ofusca qualquer brilho por si já resplandecente, que caminhe neste ?nosso? planeta de qual damos o nome de Terra. As estrelas parecem vivas, de tal maneira, que me parece um perfeito colar a lua. Ela não se faz rogada, brilha para não ficar atrás. Vou deambulando vendo os moribundos do costume, a beberem do mesmo vinho de sempre, a dizerem as mesmas graçolas e a revolta de sempre quase acabando em pancadaria. Outros que mal se aguentam, agarram-se aos postes de luz, para assim terem uma luz no seu pensamento e recordarem o caminho para casa. Continuo enjoado com este, fedor, este mal estar destas ruas. Viro na curva a direita, eis que me deparo com uma bela donzela. Uma raridade por estes lados, então vêem-se os homens a salivar como cães famintos, por um osso de extrema escassez para eles. Como se ela fosse um pedaço de carne, enfurecidos os olhos deles para ver quem apanha o primeiro o osso. Não consigo parar de olhar, não com olhar faminto. Mas um olhar de surpresa por esta mulher, de pele esbranquiçada, olhos pretos mais parecem duas azeitonas, os seus lábios carnudos vivos e cheios. O seu cabelo longo e liso ruivo, a sua altura é média, normal para uma rapariga, os seus cheios preenchem totalmente uma mão e talvez as duas. As suas pernas deliciam qualquer um. Veste-se com um vestido longo e preto, com um decote que faz desesperar qualquer um em forma de v. As costas a mostra, sapatos pretos, um colar cintilante de pérolas, um chapéu preto?

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2010/01/uma-mulher-misteriosa.html

Gesto de Amizade - 27Jun2009 19:31:00


Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2009/06/gesto-de-amizade.html

Pequeno pedaço de ti... - 27Jun2009 19:29:00

Atravessei um continente, um oceano? Onde cheguei tudo parecia mágico. Onde havia felicidade em cada esquina, onde o ar tornava-se numa lufada de amor. Quando retornei ao ponto de partida, só vi tristeza, ódio, pessoas revoltadas que não valorizavam as pequenas coisas da vida. Não valorizavam a bela terra que tinham. Achavam tudo o que havia no estrangeiro melhor, resumindo nada prestava. Estranhei este sentimento, de pessoas. Começava habituar a este distanciamento, esta frieza, crueldade destas pessoas. Andava a vaguear deambulando sem sentido ou destino. Ia onde os meus pés me levassem. Num ápice de um segundo, reparei numa mulher estava cruzando a multidão, até bati sem querer numa pessoa, de tão distraído que estava. Olhar dela, cativou-me logo, como sorria, como olhava. Um olhar sedutor e terno cheio de carinho para dar, por detrás de uma infelicidade de um momento, uma lágrima escorria pelo olho. Mas mesmo assim dava para ver como era bela. Fiz a mesma rotina vários dias, só para poder a ver, só para poder sentir um pouco mais feliz, sentir o perfume dela fazia-me sonhar acordado. Acabei por entrar na vida dela, dias mais tarde, a minha persistência versus resistência acabou por dar certo. A partir desse momento, vi que algo dentro de mim mudava não sabia explicar apenas sentia, não havia palavras. Apenas sentimento. Tornamos-nos inseparáveis, criamos laços fortes de amizade, cumplicidade trocamos apenas com olhares. As palavras eram desnecessárias, pois o silêncio preenchia todo.
Uns anos mais tarde voltei atravessar o oceano, o continente, foi necessário para descobrir algo que já sabia a muito tempo mas não tinha coragem de dizer a frente do espelho. Tinha-me apaixonado por essa bela mulher, por uma mulher indescritível, inesquecível, inigualável que alguma vez existiu ou existirá!
Comprei o primeiro bilhete de volta, para me entregar por completo a ela. Silenciar o silêncio dizendo as palavras que jamais ousei dizer algum dia. Retornei ao mesmo lugar onde a conheci, onde os meu coração bateu pela primeira vez. Mas para meu espanto e desilusão, não estava lá. Procurei por todo o lado, que poderia imaginar mas não a encontrei em algum lado. Espero um dia voltar a vê-la. Para o sol brilhar mais uma vez. Para desaparecer a tempestade que está minha volta. Quanto mais longe, mais distante estou mais perto me sinto dela, numa encruzilhada de sentimentos estou. Num abismo de torturas me encontro não sei sair dele. No dia de hoje faço uma última tentativa, regresso ao jardim onde te vi e me apaixonei por ti sem querer, sem pedir licença, nem autorização se instalou no meu coração. Sento-me no mesmo banco onde estavas, recomeço a recordar cada segundo, como se fosse agora. Estava um calor abrasador, corria apenas uma leve brisa o suficiente para levantar o teu cabelo, esvoaçando com o vento. A primeira vista era uma pessoa vulgar. Mas reparei como olhas ternamente para as crianças, estampavas um sorriso tridente. Não deixavas ninguém indiferente a tua passagem. O jardim era rodeado de árvores e rosas. A tua pele branca com o calor e naquele jardim parecias um autêntico anjo descido do céu. De tão pura e angelical que transmitias no teu olhar. Deixei lá este texto no banco de jardim. Quem sabe senão encontravas lá este pedido para nos reencontrarmos-nos outra vez, pelo menos só mais uma vez. De seguida fui a praia. Aquele que só tu sabias, por ser tão escondida, chamavas o teu recanto de sonhos que só tu sabias e um dia mostraste-me a mim e mais alguém o tinhas mostrado. Ficava por entre um vale, que jamais ousavam passar por ser tão denso e tão escuro, parecia daqueles que em pequenos nos contam para nos assustarem. Mas recompensava, uma água tão cristalina, reflectia a nossa imagem parecia um autêntico

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2009/06/pequeno-pedaco-de-ti.html

Às vezes... - 01Ago2008 09:58:00

Às vezes deparo-me a olhar para o horizonte sem nada ver, sem ter nada para sentir...Apenas olho e vejo o reflexo de mim espelhado para um horizonte cheio de nadas, cheio de tudos. Querendo saber as respostas mas ficando com mais dúvidas... Depois adormeço acordado com esse olhar na minha mente, que permanente ficou num ar. Algo para pensar, mas não quero pensar apenas quero viver, sem ter que ter de pensar apenas agindo. Sendo louco por vezes, inconsciente, sou levado por uma emoção de um momento, por um capricho que noutra altura diria que não pela razão. Agora ajo com coração, deixo que me leve, por esse caminho que às vezes não é o mais correcto.
Silencio-me no nada, respiro as palavras para as poder escrever ? Espero pelo momento certo, e redijo numa folha de papel. Levo ao mar, pego numa garrafa e ponho lá um pedaço de mim ponho uma rolha e deixo que o mar a leve. Ao princípio começou por ser um desabafo, duma escrita, que havia sido abafada dentro de mim. Agora é uma rotina periódica, ponho as mágoas numa folha de papel, esperando que sobre ondas do mar me traga a felicidade. Quando alguém me ler perceberá porque às vezes me sinto só, mesmo estando rodeado de mil pessoas. Sinto-me num vazio enorme, quando tenho a volta toda a felicidade que toda a gente deseja ter. Por isso ás vezes mais vale não escrever, mais vale, por na garrafa o silencio do nosso coração para alguém poder nos compreender melhor, em vez de um punhado de palavras preenchidas a dedo, para parecer que o vazio foi preenchido.
Às vezes?

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/08/s-vezes.html

Ingénuo sou? - 11Jul2008 22:25:00

Chamaste-me louco por dizer que gosto de ti
Louco sou e serei por dizer a verdade?
Então serei a pessoa mais louca a face da terra
Pois nada é relevante sem a tua presença...
Sem o teu sorriso, a tua ternura que me conquista
A cada segundo, ficando eu rendido a ti...
Precisando de ti para viver, para minha vida ter valor
Será que descobri o amor? Isto que tantos apregoam de amor?
Ingénuo sou, pois nunca me apresentaram...
Esse ser a quem dão o nome de amor...
Mas se for, porque ele está sempre no meio de nós...
Fazendo chorar constantemente em vez de me trazer alegria?
Então prefiro não amar e ser feliz ao teu lado!
Prefiro viver esta vida sem temer algo entre nós...
Que faça com que um dia, te leve e me deixe só...
Apenas te quero junto a mim...

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/07/ingnuo-sou.html

Consciência - 08Jul2008 22:46:00
Um dia, uma menina muito bonita chegou ao pé de mim e disse-me que eu poderia conquistar tudo o que quisesse se fosse rico e poderoso, menos o amor da minha amada, e que aí, teria de optar ou pela riqueza e poder ou pelo amor. Fazendo-me ver, assim, as consequências das duas opções. Se optasse ser rico e poderoso, seria infeliz, egoísta, mesquinho e orgulhoso. Criaria muitos inimigos, não teria qualquer amigo nem o amor da minha amada. Quanto mais poder e riqueza eu tivesse, mais solitário seria. Nunca iria conseguir comprar o amor e a amizade das pessoas, que continuamente iriam-se afastar de mim. Mas, se optasse pelo amor seria feliz e teria o amor e a amizade de todos. Poderia não ter poder suficiente nem ser rico, mas se lutasse pelos meus objectivos, veria que independentemente da riqueza e do poder, teria tudo o que desejava. Porque o poder e a riqueza só nos faz sofrer, torna-nos em seres solitários. Então percebi que a menina mostrou-me o que de mais valioso havia na terra... o amor. Por isso lutei pelo amor da minha amada, e pela felicidade das pessoas que mais amo. Posso não estar em todo o lado, mas os meus amigos sabem que lá estarei, quando precisarem. Admito mesmo assim, que tenho erros e defeitos. Mas essa menina mostrou que ninguém é perfeito. Louco é aquele que julga sê-lo. Essa menina é a nossa consciência, e diz-nos tudo o que devemos e não devemos fazer. Infelizmente nem sempre a queremos ouvir, por vezes a verdade doí muito, e faz-nos sofrer. Sei que estou mais maduro, pensando de maneira diferente, e antes de fazer as coisas. A menina ajudou-me a erguer a cabeça nos momentos mais infelizes e agora sou feliz porque aceitei a sua verdade. Sim doeu, mas ultrapassei essa dor vendo o o quanto ela é importante para mim. E Como faz parte da minha vida!

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/07/conscincia.html

Televisão... - 06Jul2008 20:42:00

Ligo a televisão e a primeira coisa que vejo, é a morte de uma criança numa barragem. A notícia a seguir é sobre outra morte de um pai e um filho. Só existem notícias más para dar? Só o terror é que faz audiências? Se sim, como está o caso Casa Pia? Há tanto tempo que não oiço falar sobre ele. Alguém foi condenado? Não sei, já não deve ser suficientemente interessante para dar audiências, o caso Apito Dourado vai no mesmo sentido o esquecimento. Mas temos mais casos, como por exemplo o caso Maddie, antes era largos minutos de tempo do noticiário, agora nem um minuto. Mas poderemos ir ainda mais longe, falar sobre o que realmente as pessoas preocupam-se no seu dia-a-dia... Os problemas sobre os deficientes, isso não é importante chamarem atenção? É a sociedade onde vivemos, onde o sensacionalismo, supera tudo... Onde os canais de televisões, fazem de tudo para ganhar a guerra das audiências!
Mas esquecem-se que do outro lado do ecrã, está uma pessoa, que quer informações realmente importantes para a sua vida... Quer programas lúdicos, para poderem progredir como ser humanos, não querem mais vasculhar e invadir o máximo da privacidade das pessoas que se intitulam como famosos... Os não famosos são tão ou mais importantes que os famosos pois são o povo, são aqueles que fazem progredir ou não o país, por isso não se esquecessem daqueles que fazem vocês terem audiências....

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/07/televiso.html

História de uma vida... - 03Jul2008 22:16:00

Vou vos contar a minha história, até aqui nada de especial. Pois a imensas histórias de rapazes mas vou contar a história de como a nossa infância e a nossa adolescência pode influenciar e muito a nossa vida.

Numa bela manhã de verão, de Agosto nasceu, um bebé lindo, de olhos azuis uma criança adorável e muito sociável. Até aos três anos de idade, teve uma vida completamente normal mas a partir dos três anos, começou a sua tormenta. A sua mãe tinha sido internada por depressão. Logo aí foi privado do amor dela. Ela tinha sido internada por causa do seu pai. Pois tratava-a mal, não respeitando como mulher nem como esposa. Teve lá dois anos, foram passados com dificuldade e com muita dose emocional. Voltou para casa e parecia que tudo corria bem. Aos dez anos descobriu que o seu irmão tinha uma doença incurável. Era epiléptico, era o primeiro acordar a assistir as suas crises. A partir daí começou a ter traumas, a sonhar com o seu irmão e a lembrar-se dos seus ataques.
- Tens de ser forte, não podes chorar. Pois a tua família precisa de ti. ? dizia o seu pai.
- Como posso ser forte? Se só consigo ver sofrimento e dor a minha volta. - dizia ele.
- A vida é assim, tens de ser forte pois a vida não é fácil. Só se sobrevive quem é forte, e não os fracos. Por isso não temas nada. ? seu pai respondendo a ele.
- Então prefiro matar-me a viver com esta dor, não aguento esta dor que me rasga o coração. Que divide em duas partes, que chora no silêncio da noite. Desculpe se não sou forte, mas não consigo ver o sol pois só vejo nuvens cinzentas a minha volta. ? respondendo seu ao pai.
- Não fiques assim pois, vais ver que isto vai melhorar.
Melhorar dizia o seu pai, só se tornou cada vez pior. Então seu pai começou a beber, pois tinha sido despedido. Não havia dinheiro para comprar comida. Mas tinha de haver dinheiro para ele beber. Quando chegava a casa batia na sua mãe, ouvia os gritos abafados da sua mãe. Pensavam que estava a dormir, mas estava bem acordado ouvindo por detrás da porta. Até que um dia se fartou e resolveu intervir.
- Pai? chega não vai mais tocar na mãe outra vez! - dizia ele.
- Que queres tu rapazinho, vais mas é dormir que já são horas! ? o seu pai dizendo com cara de furioso.
- Não me vou deitar, enquanto continuar a bater na minha mãe! - dizia ele tentando mostrar uma cara de mau.
- Sai, já da frente senão levas! ? o seu pai cada vez mais furioso.
Não se mexeu do mesmo lugar, levou um soco. Esse soco nunca mais esqueceu-se, doía-lhe imenso mas para tentar ser forte. Não saiu nem um grito de dor, e muito menos uma lágrima. O seu pai arrependido veio logo lhe pedir desculpa. Ao que respondeu meteu-lhe nojo, nunca mais o quero ver. E na manhã seguinte fugiu de casa para nunca mais voltar para lá.
Ia começar uma nova etapa da sua vida. Mais dura do que podia imaginar, mas muito enriquecedora. Nos primeiros tempos dormia na rua, onde via prostitutas, chulos, vi senhores ministros na rua a procura de jovens para saciar, as suas fantasias sexuais. Onde tudo era permitido, como se fosse outra realidade outro mundo. A noite toda a gente é uma pessoa nova, parece que renasce. Foi começando aperceber-se, que a vida cor-de-rosa que idealizava, não passava mesmo disso de um sonho, de algo que não existia na vida real, no mundo. Até conseguir arranjar um emprego, dormia num banco de jardim. Não dormia, pois surgiam os pesadelos do seu pai a vir em direcção a si tentando lhe bater, ou as caras de pessoas famosas que passeavam a seu belo prazer a procura de uma aventura com o primeiro rapaz que aparecesse. Andava desesperado, até encontrar emprego numa tasca. Onde trabalhava desde as 8 da manhã até a 0:00. Servia as mesas, limpava o chão resumindo fazia de tudo o que o seu patrão dizia para ele fazer.
- Puto despacha-te, tens mãos de galinha! Continuas assim e vais para a rua, a tua mãe devia ser uma prostituta, pois nem sabes fazer nada de jeito. Nem sequer sabes falar. ? dizia o seu patrão resmungando por tudo e por nada.
- Veja lá o que diz da minha mãe, seu gordo fedorento? a minha mãe tem mais honra que muitas mulheres ai do jet 7. ? dizia transtornado e a querer esfolar ele.
- O que disseste meia-leca?- dizia ele ainda mais furioso.
- Nada, nada. ? fingindo que nem sequer tinha falado.
- Acho bem, agora despacha-te que temos clientes a espera e eles nunca podem esperar? OUVISTE! ? gritava ele como se o mundo fosse acabar naquele momento.
Dava duas refeições por dia, e já tinha sorte. Sorte porque antes nada comia, mas o que comia não ia para além dos restos que davam a si e ao cão que tinha.
Até que um dia disse basta, basta desta vida de merda. Não passava de um farrapo nas mãos dele. E num dia a noite quando toda a gente estava a dormir, abriu devagar a porta e foi andando de pé ante pé até a porta rua. Quando chegou a rua suspirou de alívio, pois ia voltar a ver as caras conhecidas, que tantas vezes tinha visto a uns anos atrás. A única diferença era que estavam mais velhos. Mas já não tinha medo, da noite, nem pesadelos agora conseguia os controlar. A noite para si, já nada trazia de novo. Até que um dia? noite se fez dia, sem saber a sua vida ia mudar completamente. Encontrou uma pessoa que lhe estendeu a mão, lhe salvou da perdição. Quem mais poderia ser se não um padre.
- Vem comigo filho, eu prometo-te ajudar! ? com ar de bondade, que nunca tinha visto antes.
- Como poderei saber que diz a verdade? ? desconfiado mesmo olhando nos olhos do padre o mais sincero possível.
- Achas que minto? Se achas que sim, continua ai, se não vem comigo. ? sério mas com ar de confiança e segurança de alguém que já sabe qual vai ser a resposta.
Hesitando lá foi andando devagar ao encontro do padre.
Começou a ir outra vez as aulas, a voltar a ter uma vida normal. Com o passar do tempo as dificuldades que ele tinha na escola, foram passando e começou a tornar-se num excelente aluno. Começou a tratar o padre por pai, nem sequer já se lembrava da sua família. Aos 18 anos decidiu ir para padre, pois sempre quis ser como o seu ?pai?.
- Sabes o que essa decisão, pode ter na tua vida?
- Sim, sei e mesmo sim quero continuar. Pois quando o encontrei, não tinha coração mas sim uma pedra. Só tinha ódio e só sabia as palavras tristeza, insegurança, e não tinha auto-estima nenhuma. Aprendi consigo o amor, a felicidade, o que é o significado de um lar. E por isso decide espalhar por esse mundo, o significado do amor. Quero ser como tu, meu pai.
- Se é isso mesmo que queres, segue em frente tens o meu apoio. Mas haverá obstáculos que vais ter ao longo da vida. Vais ter de ultrapassar e ai saberás, se a tua vocação foi ou não para ser padre.
- Obrigado, meu pai. Nunca vou o desiludir, pois gosto imenso de si.
Começou a sua longa viagem para ser padre.
Uns dias mais tarde, cruzou-se com o meu irmão. Mas não sabia se devia ou não ir ao encontro dele. Decido-se finalmente em ir ao encontro dele.
- Olá, tudo bem João? ? diz ele tentando mostrar uma calma por fora mas por dentro tremia todo.
- Como sabes o meu nome? ? disse ele surpreso.
- Sou eu o Carlos, o teu irmão já não te lembras de mim? - diz como se uma espada tivesse entrado e divido o meu coração em duas partes.
- Estás tão diferente, já nem te reconhecia. Já estás um homem, que é feito de ti? O que te aconteceu? - disse ele com a maior felicidade do mundo.
Então começou a relatar tudo o que tinha acontecido, desde então até ao momento. Desde dormir na rua, a ter trabalhar na tasca e finalmente o encontro com o padre e a sua salvação.
- Então como estão as coisas lá em casa? ? disse para parecer bem, mas intimamente não querendo saber a resposta.
- A mãe está bem, desde que tu saíste o pai nunca mais bateu a mãe. Andou numa clínica de recuperação para alcoólicos, ainda se fui abaixo duas vezes. Mas agora parece que consegui e já não bebe álcool há mais de um ano. Ele está muito arrependido do que te fez, eles os dois sentem muito a tua falta. Mas o pior de tudo ainda não te contei.
- O que foi?
- O pai está a beira da morte, e agora só chama por ti. Diz que é o seu último desejo na vida. Quer saber se tu o perdoas.
- Não o quero ver, apesar de já não sentir ódio por ele. Mas ainda sinto muita mágoa e não sei como reagiria se o vive a minha frente. Não o perdoei e acho que nunca o vou perdoar.
- Compreendo e respeito-te, a decisão é tua. Pois sei o que sentes e nunca te vou recriminar pelo que fizeres. Mas acho que pelo menos devias ir ver o pai.
Não respondeu em vez disso calou-se, fez-se silêncio, a seguir despediu-se dele. Entretanto foi para a paróquia, ter com o padre, e sem saber o que pensar ou fazer. Tudo o mal que lhe aconteceu deveu-se ao seu pai, e mesmo assim com o padre descobriu que devemos espalhar o amor e perdoar. Estava num dilema, que não sabia para onde iria pender a sua decisão.
Então quando chegou a paróquia decidiu ir falar com o padre, pois ele iria-lhe ajudar a tomar uma decisão.
- ?Pai?, encontrei-me com o meu irmão de sangue a pouco. E ele disse que o meu pai de sangue estava a morrer, e que ele desejava ver-me antes de morrer, para saber se o perdoava. Mas não sei se o quero ver, não sei como iria reagir e muito menos se conseguiria ou conseguirei o perdoar.
- Filho, tens de ver que nada é fácil. Mas de certeza que ele gosta de ti, e aquilo que ele te fez foi um acto irreflectido. Não te vou dizer, que o perdoes pois sei o que sentes neste momento. Segue o teu coração decidir o que fazer. Pois nada do que dizer, ou alguém te dizer poderá mudar a tua opnião. Por isso não decidas já, pensa no assunto e depois decide.
Seguiu o conselho do padre, e reflectiu muito sobre o assunto. Decidiu ir visitar o seu pai de sangue, e ver o que ele tinha para lhe dizer. Mas pensando sempre que não o iria perdoar, disse-se o que tivesse para dizer a ele.
Cada passo que dava em direcção a sua antiga casa, parecia como se tempo voltasse atrás. O ódio, a revolta, o nojo. Não conseguiu controlar seus sentimentos, e mesmo assim uma voz dentro de si dizia para continuar. Como se a voz do padre, tivesse na sua cabeça e a dizer controla-te pois Deus faz tudo por uma razão e agora vais saber o porquê de teres encontrado com o teu irmão.
Chegou a porta, tocou a campainha. Parecia que nada tinha mudado. Tudo no mesmo lugar, nas mesmas posições. Apareceu a porta sua mãe.
- Olá, sou eu mãe. Vim ver o pai! ? disse ele com uma frieza na voz que nem sequer reconhecia, a si próprio.
- Filho, Carlos???!!! ? disse como uma voz misto de espanto, e com enorme emoção.
- Sim, sou eu! Posso ver o pai? O João, disse que ele estava mal.
- É verdade, ele só tem perguntado por ti, mas entra por favor, não fiquemos aqui no hall de entrada.
Então subiu as escadas, e foi em direcção ao quarto dos seus pais. Parecia que o peso do seu corpo tinha aumentado mil vezes, mal conseguia andar e respirar. Quanto mais pensar em algo.
Finalmente entrou no quarto.
- Olá pai, ouvi dizer que queria falar comigo!
- Carlos? ? surpreendido não conseguia acreditar no que os seus olhos lhe mostravam.
-Sim, sou eu!
- Ainda bem que vieste, queria tanto te ver?
- Porque me queria ver?, e não espere que tenha uma recepção calorosa, pois ainda não me esqueci do que me fez, e o que disse. ? não deixando terminar a frase, a sua voz serena e agressiva.
- Tens toda a razão, queria te dizer pessoalmente que estou arrependido, do que te fiz a ti e a tua mãe. Mas não posso voltar o tempo atrás, e modificar a história. Apenas espero que um dia me poças perdoar. Sei que é difícil, mas tenta.
- È tudo, o que tem a dizer?
- Sim, mas não quero que fiques com tanto rancor de mim no teu coração a meu respeito.
- Para sua informação, não tenho ódio. Quando vinha aqui para casa, não sabia o que pensar e sentir, até mesmo quando subia as escadas. No momento em que o vi, deixei de ter ódio por si. Mas não perdoei, porque ainda não consigo perdoar. Quem sabe um dia. Bem nada mais me prende aqui nesta casa, vou-me embora. As melhoras e ver se recupera.
Saiu do quarto e da casa sem dizer nada a ninguém. No momento que fechou a porta da casa que dá para a rua, deu-lhe uma imensa vontade de chorar. Porque tinha dito que não estava preparado para perdoar. Quem era ele para julgar alguém. Ele que fugi quando a sua mãe, mais precisou. Ele foi um puto mimado, que só pensava em si e não nas pessoas que estavam a sua volta a sofrer. Não conseguia, voltar hoje a casa dos seus pais. Iria manhã, bem cedo dizer que o perdoava. Porque no fundo sabia, que nunca o tinha odiado! Pois, pai há só um! Com os defeitos e qualidades que cada um têm. E além do mais tinha mudado, e reconhecido os seus erros.
Foi outra vez para a paróquia, e encontro-se com o padre e disse tudo o que tinha acontecido. Ele disse que tinha feito bem, amadurecido muito hoje e tinha tido muito orgulho de si, como pessoa e ser humano.
No dia seguinte voltou lá, para dizer ao aeu pai que o perdoava. Que gostava dele, apesar de tudo. E ia lá todos os dias a tarde para o ver. Passado um mês, desde a primeira vez que o foi visitar. Ele morreu. Sentiu um grande vazio, pois neste mês tinha o conhecido mais a si, e a ele que do que no tempo tudo em que conviveu com ele. Passou ainda um grande tempo, até recuperar da dor que tinha sentido. Pois agora tinha aplicado, tudo o que o padre lhe tinha ensinado. Então ele continou o seu estudo no seminário para ser padre, conseguindo assim o seu objectivo.
Um dia passeando pela rua, tendo já terminado o seminário com sucesso. Encontrou uma mulher muito bonita. Ela era morena, cabelos lisos, olhos esverdeados, com o corpo bem delineado, alta. Mostrando uma segurança e confiança em si, mas o que despertou-lhe mais atenção foi ela estar a chorar. Uma mulher tão bela, a chorar como era possível. Aproximou-se devagar para junto dela e disse-lhe:
- Desculpe, minha senhora sei que não tenho nada haver com isso mas porque chora assim dessa maneira?
- Porque haveria de lhe dizer alguma coisa a si? Pois, como disse não tem nada haver com a razão do meu chorar. E além do mais é um estranho, para mim.
-Tem toda a razão. Eu sou padre, por isso poderia compreender a melhor mas como não quer falar sobre o assunto respeito-a. E vou seguir o meu caminho, fique bem.
Então como se aquelas ultimas palavras referidas por mim, tivessem pesado na consciência resolveu se abrir comigo, tudo o que se passava com ela.
- Vou lhe contar a minha história de amor. Tinha conhecido um rapaz quando era muito nova, foi paixão a primeira vista, fiquei logo rendida a ele. Mas como me achava muita feia pensei que não teria hipóteses com ele. Conheci por causa de uma aposta feita entre os amigos do tal rapaz. Estávamos num bar, fomos nos conhecendo, trocamos números de telefone. A partir dai nunca mais perdemos o contacto, começamos a namorar mas eu tinha a desconfiança que ele me traía. Como era um rapaz muito sensual, bonito e charmoso conseguiria conquistar qualquer mulher. Mas com o passar do tempo essa desconfiança fui se desvanecendo, até acabar de vez. Acabei por me casar, os primeiros anos foram maravilhosos, muito compreensivo, carinhoso, estava sempre presente quando precisava. Até que um dia cheguei a casa mais cedo e vi ele com a minha melhor amiga na nossa cama. Não suportei mais e pedi o divórcio, não aguentava a dor de viver com um homem que não me amava e se calhar nunca me amou.
Ela ia todos os dias, a igreja só para ver o padre, andava ansioso só para a ver. Com o passar do tempo, foi se criando uma grande amizade, se por algum motivo se não podíam se ver telefonavam um ao outro. Até que um dia, aperceberam-se que já não sentíam só uma amizade, um pelo outro. Era algo mais forte, mais intenso e descobriram que amavam-se. Foi um grande choque para os dois, pois ele era padre, e para ela porque amava um padre. Resolveu-se afastar dela, sem dizer nada pois era padre. Não podia continuar a dar-lhe ilusões, sabia que a relação deles não ia dar em nada. Mas ela insistia, até que um dia confrontou-lhee o porque do afastamento.
- Porque te afastaste de mim? O que te fiz? Diz-me, ando triste por não te ver, amargurada por saber que amo-te e tu não me dizes nada.
- Pensas que é fácil para mim? Não é, vim para padre porque julgava ser o meu destino. Tinha sido escolhido por deus, depois apareceste tu! E vieste-me por em dúvida, se queria mesmo ser padre ou não! Pensei muito sobre o assunto, e decidi que era melhor não nos vermos mais. È melhor para com o sofrimento agora, do que virmos a sofrer muito mais daqui a uns tempos. Não foi a decisão mais fácil, e se calhar não foi a mais justa, mas é com certeza a mais acertada!
- Estás a ser egoísta, e egocêntrico. Tu queres fugir da realidade em vez de a enfrentares, com certeza que vieste para padre, para fugir dos teus problemas, como agora. Se não queres ser feliz, não faças sofrer os outros. És demasiado infantil para mim, uma pessoa mimada e nunca iria dar certo entre nós. Por isso tens razão, não te quero ver mais. Adeus, e cresce pois só assim alguém gostará de ti como pessoa, senão morrerás sozinho.
E foi se embora, nunca mais apareceu na igreja nem deu noticias. Não conseguia, pensar em mais nada senão nela. Tinha perdido a vontade de viver por causa dela, já pensava no suicídio pois tinha falhado em tudo na sua vida. Tinha decepcionado a pessoa que mais lhee ajudou, na sua vida. O padre ajudou-lhe quando não era ninguém. Um dia veio ter consigo e perguntou-lhe:
- Tão filho, a uns tempos para cá venho apercebendo-me que estás muito triste. O que aconteceu?
- Não consigo deixar de pensar numa mulher que conhecia a uns tempos. Apaixonei-me por ela. Mas eu escolhi a vida de padre, não a poderei a amar e iria o decepcionar se deixasse de ser padre.
- Meu filho, ouve com muita atenção as minhas palavras deste pobre e velho padre. Pois serão com certeza as últimas palavras que ouvirás de mim. Eu só ficarei orgulhoso de ti, se fores feliz. Vai, segue em frente deixa, de ser padre. Se feliz ao lado da pessoa que amas. Para que continuar num lugar onde serás sempre infeliz, vai antes que seja tarde demais. Mas se fores, não desistas ao primeiro obstáculo. Não descarregues os desgostos da tua vida, nas pessoas que são mais próximas, senão cometerás o mesmo erro do teu pai.
-Obrigado padre, mil vezes obrigado! Ficarei eternamente grato pelas suas palavras, pelos seus ensinamentos. Terei dívida para consigo, que jamais poderei pagar! Espero voltar a ver o em breve!
- Pagarás essa divida, se cumprires os meus conselhos, e deixarás me muito orgulhoso! Apesar dos teus defeitos, quem não os tem. Tens muitas qualidades, e uma delas e teres um coração do tamanho do mundo.
Então lá foi a procura da sua felicidade, a procura da única mulher que amou de verdade ao longo dos seus anos de vida. A pessoa pela qual vez lhe olhar para si próprio e ver a pessoa que era, ela tinha razão no que lhe disse quando se despediu de si. Tinha fugido de casa, quando a sua mãe mais precisava de si. Foi para a rua, depois fugiu da rua para a primeira coisa que encontrara, fugiu novamente para a rua, porque não se dava bem com o emprego. De seguida fugi-o e refugiei-se na igreja, tentando esquecer todos os seus problemas. E por ultimo fugiu do amor. Não voltaria a fugir de nada nem de ninguém, mesmo que não a encontrasse ela ajudou-lhe a mudar a pessoa que era. Procurou por todo o lado e não a encontrou, quando estava prestes a desistir encontrou-a no mesmo sítio onde a tinha visto pela primeira vez. As palavras não lhe surgiam, estava nervoso por a encontrar, passado tanto tempo. Resolveu ir ter com ela, e cumprimentar mas sem grandes esperanças de ela lhe cumprimentar, pensava que ainda não gostaria de voltar a falar consigo.
- Olá, tudo bem?
- Olá, tudo e contigo?
- Também, tenho pensado muito em ti. Em tudo o que me disseste na última vez que nos vimos. Cheguei a conclusão, tinhas razão. Fugi na minha vida toda, aos meus problemas, aos meus obstáculos. Nunca os tentei resolver. Até tu apareceres, até ver-te e pores tudo em dúvida, todas as certezas absolutas que tinha. Tive medo de arriscar e sofrer, fui muito comodista, e não quis deixar o meu orgulho de lado e dar-te razão. Agora se calhar já é tarde demais, e deves estar muito chateada comigo. Porém tenho de te agradecer por tudo o que fizeste, e me disseste. Espero porém ser vir a ser teu amigo?-interrompeu-lhe.
- Posso falar? Claro que estou muito chateada contigo, tu magoaste muito. Esperava mais de ti, mas o amor não se esquece de um dia para outro. E tenho de reconhecer, que deves ter feito um esforço muito grande para me dizeres o que acabaste de dizer. E se tiveres disposto, a deixar de lado a tua opção de ser padre para andares comigo. Eu dou-te uma nova oportunidade.
- Estás a falar a sério? Foi a melhor notícia que recebi nos últimos tempos, não sabes como me deixaste feliz só por teres dito isso.
- Ainda bem, espero que as minhas palavras não sejam em vão, e não venha arrepender mais tarde do que te acabei de dizer.
Deixou de ser padre fui viver com ela, parecia um conto de fadas. Uns meses mais tarde soube a noticia que o seu mentor (o padre) tinha morrido. Não queria acreditar a pessoa que mais lhe tinha ensinado, e em grande parte a ele deve ser a pessoa que é hoje. Nunca, jamais o irei esquecer. A pessoa que sempre confiou em si, tinha sempre as palavras certas para cada situação. A humanidade perdeu um grande homem, e ele tinha perdido um amigo, um pai, um confidente. Não iria conhecer outra pessoa como ele, por mais anos que vivesse, ele era único e uma pessoa muito especial. A vida é feita de desgostos, e há que saber levantar a cabeça nos obstáculos. Palavras sábias de alguém ainda mais sábio, palavras dele o seu mentor. Obrigado por tudo, onde quer que esteja agora. Ficara eternamente grato, e levantou a cabeça e segui em frente, mesmo que por dentro tenha morrido uma parte de si. Foi seguindo a sua vida, não foi fácil. Teve momentos, em que pensou em desistir mas lembrava-se sempre dele. Casou-se e teve dois filhos. Nos primeiros tempos era como viver no mundo das fantasias parecia tudo surreal. Os problemas começaram, quando não conseguíam arranjar tempo um para o outro. Começaram a distanciar-se, e a pensar que cada um traía o outro. Até um dia terem uma conversa, não podiam continuar assim. Mal falavam e se continuássem assim, mais tarde ou mais cedo só restaria o divórcio. Resolveram fazer umas férias, só os dois. Chegando á conclusão do que estava mal, a culpa que havia um do outro para terem chegado a este distanciamento. A partir daí voltaram a se aproximar, talvez já não fosse amor o que sentíam um pelo outro. Mas já não conseguíam viver um sem o outro, e viveríam um com outro até morrer. Com altos e baixos, mas sempre a tentar dar as mãos nas alturas mais difíceis, hoje sabe que se o seu mentor tivesse vivo teria muito orgulho em si.
- Carlos, meu amor, meu grande amor anda almoçar já estás ai a imenso tempo no pc. Lembraste do que te disse o médico, não podes passar tanto tempo em frente do pc. Faz-te mal, pensas que ainda tens 20 anos. Já tens 60, não te esqueças disso. Mas já agora que estás a escrever?
-Joana meu amor, já te disseram que és muito curiosa? Não te preocupes vou já sair, da frente do pc. Estava a escrever a minha vida, a nossa vida. Tudo o que de importante se passou nela.
- Hmmm, está bem. Depois deixas-me ler?
-Claro. Sabes uma coisa?
- O quê?
- Gosto muito de ti, e foste muito importante para mim ao longo da minha vida. Não serei o que ela seria sem ti.
- Estás tão querido hoje, é bom ouvir isso! Tu também foste e és muito importante para mim.

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/07/histria-de-uma-vida.html

Simples descrição de mim... - 26Jun2008 20:39:00

Em 23 de Março de 1985 lá nasci Bruno Alexandre Luís Esteves Taborda, na maternidade Alfredo da Costa. Só conheci um lugar para morar, desde que nasci em Telheiras. Andei na escola nª57 de telheiras, passei pela escola básica 2+3 de telheiras, Escola secundária David Mourão Ferreira, Escola Secundária de Camões, na universidade tirei um curso de contabilidade e administração no instituto superior de ciências da administração.
A escrita nasceu em mim devido em grande parte ao meu pai, como era tipógrafo insistia muito na escrita. Nunca fui muito bom em português, mas na parte criativa das composições tinha sempre boas notas. Aos 13/14 anos não consigo precisar muito bem, li um livro que marcou bastante Os Miseráveis, muito denso, muito descritivo. Lembro-me na altura ter achado muito aborrecido, mas foi a partir dele, também do meu irmão do meio que comecei a gostar da leitura.
Hoje em dia devoro livros, não consigo estar muito tempo sem ler. Comecei a escrever, talvez dos meus 15 anos, passar para o papel o que não conseguia dizer em palavras, desabafar sentimentos, emoções, apenas vontade de escrever algo. Mas comecei amar a escrita, a uns três, quatro anos, quando gostei muito de alguém comecei a escrever textos para ela (intitulava-se menina, para mim continua a ser uma menina bela e mágica, a partir dela aprendia amar verdadeiramente a escrita). Mais amigos meus, como sabiam que gostava de escrever pediam testemunhos, textos, que apenas escreve-se algo para eles. Diziam que tinha talento, tinha qualidades para investir na escrita. Mas houve dois comentários que marcaram e ainda marcam, um deles foi dizer que se reviam na minha escrita, outro foi quando alguém me disse uma vez:?tens tanta sensibilidade que até me arrepias só de ler e sentir as tuas emoções, os teus sentimentos?.
Tenho dois irmãos mais velhos que eu. Deles herdei a sensibilidade, atenção, o carinho e a capacidade de ouvir (irmão do meio). Do mais velho, o poder de argumentação, análise critica, a não me contentar com que me dão a querer sempre mais. Da minha mãe a sensibilidade, a palavra amizade, amor, a entrega completa de forma genuína. Do meu pai, tentar ser sempre melhor, ser correcto e leal, argumentação e contra-argumentação, a olhar para além do evidente, nunca desistir dos sonhos e lutar por aquilo que realmente queremos. A eles, aos meus familiares, amigos e todos os que acreditam e me apoiaram sempre o meu muito obrigado. Espero que nunca vos desilude, espero sempre os surpreender, pois vocês meus leitores são a razão pela qual amo a escrita, vos poder algo que tantas alegrias me dá.

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/06/simples-descrio-de-mim.html

Corro sem parar... - 25Jun2008 20:02:00

Sei que não tenho jeito, nem encanto para te despertar atenção. Sou mais um que espera que por detrás desta imensidão se faça luz. Que um dia possamos caminhar juntos, sem desconfianças ou medos. Talvez um dia isto não seja apenas palavras, mas actos consumados e uma realidade que agora parece distante. Parece uma miragem ao fundo do túnel, parece estou enfraquecendo a medida que entro neste túnel. Não vejo a luz do dia, sussurra-me ao ouvido o silêncio desta noite.
Faz-me parecer pequeno com tamanha grandiosidade, tento resistir esta negrume solidão que se apodera de mim, sem eu dar conta. Instala-se de mansinho como se sobrevive-se da minha tristeza para viver. Corro até os meus pés sangrarem, corro até a minha respiração parecer tão ofegante que não consiga mais respirar, corro até que o meu coração palpite tanto que se esqueça de se lembrar, corro até o meu pensamento ficar cansado para dormir a seguir. Parece uma luta incessante, em busca de algo que perdi pelo caminho errante. Onde errei? Onde me perdi? Será que vou ter respostas que tanto anseio saber. Talvez nunca vá saber, se calhar quando souber será a minha morte, pois encontrei a razão da minha existência e poderei morrer feliz.
Não me canso de lembrar das pessoas que agora não estão presentes, não canso de pensar em amigos especiais que partiram mas jamais partiram do meu coração, do meu pensamento. Um desabafo? Uma despedida? Não sei uma reflexão de uma vida errante, uma vida sem rumo, que trato por tu, pois já perdi a vergonha a muito tempo, deixando de a tratar por você. Fico a meio caminho do nada, a meio caminho do tudo. Paro e penso corri, corro, mas algum dia me cansei de correr atrás de ti? De você? Da felicidade? Do amor? Nunca, mesmo que fique no meio deste túnel, mesmo que não veja a luz do dia, por isso hoje vou correr outra vez, esperando um dia descansar desta corrida incessante a qual dei o nome de vida, nome minha vida!

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/06/corro-sem-parar.html

Não sei escrever... - 22Jun2008 21:39:00


Hoje admito que não sei escrever? Por muito tempo, ousei pensar que sabia escrever, sabia desenhar os contornos das letras nos papéis em branco. Hoje li e reli alguns autores de quem admiro, fiquei abismado, com a escrita deles. Reflecti e cheguei a conclusão, ter um longo caminho a percorrer, até poder considerar que sei escrever. Poderiam enumerar vários nomes, seria uma lista interminável, por isso deixo um leque reduzido para não se cansarem de ler quem são esses autores: Trabisdementia, Júnior A., Horriscausa, José Torres, Vera Silva, MariaSousa, entre muitos outros.
Perco-me nas palavras deles, sinto-me mergulhado por uma onda êxtase, entro noutro mundo. Silencio-me, o mundo para, o silêncio reina e fico a li uns minutos a lê-los a contempla--los e nada mais importa nesse momento. Nesse momento é um ar que respiro, uma ilusão que toca no meu coração. Só preciso desses momentos uma vez por dia para poder sentir-me preenchido com as palavras, com as emoções.
Agora ninguém me leva a mal, não saber escrever pois tive ousadia, a coragem que a muitos lhe falta. Para dizer bem alto que pensam saber escrever. Escrever é muito mais do que pegar numa caneta, num lápis e começar a desenhar letras, isso qualquer um conseguia. Tem regras, tem emoções, tem sentimentos, isso está para além dos livros de ensino. Está na escola da vida. Não julguem que não gostava de poder dizer bem alto: Sou escritor! Mas de verdade, não uma mentira que dita muitas vezes, se tornou verdade.
Deixo uma imagem um som, para as palavras que não consigo encontrar, descrever, pois elas não se dignificam a bater a minha porta e ficar comigo, conversando, ditando as regras, seduzindo e deixando o momento rolar, inspirando numa noite de lua cheia. Em que a luz é tão límpida que se reflecte no mar, desenhando contornos indescritíveis. Numa praia isolada, onde só o silêncio nos ouve, desenho as letras que um dia queria poder escrever para todos, para alguém para ti que me lês agora!

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/06/no-sei-escrever.html


Hoje recordo-me dos momentos passados, das confidencias trocadas. Os sorrisos que pareciam trazer a felicidade eterna. Os olhares que diziam mais que palavras. Gestos trocados com ternura, algo único que jamais se esquecem. Tudo ficou num passado que agira parece longínquo, mas não é assim tão longínquo. A nossa mente é que vive intensamente cada segundo como se fosse o último. Agora recordo com saudades de tu que se tornou num você....

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/06/um-tu-que-se-tornou-num-voc.html


Ao fim de muito tempo arrisquei a pegar numa caneta e num papel em branco. A medo comecei a escrever, sobre o medo escrevi. Deixando o rasto de sentimentos, pegadas que formaram um caminho... um caminho com medo de escrever sobre algo, alguém... ou apenas de ti!
Não é isto que a vida se resume. A uma mensagem, a uma ideia, sobre algo, alguém que nos marcou e nos marca para sempre. Alguém que entra na nossa vida, sem darmos conta, se vai instalando, acomoda-se a nós. Quando damos por isso está a nossa frente, desejamos que aquele momento se eternize.
O que começou a medo de um gesto, acabou numa firmeza de um olhar, dumas palavras com real significado.
Agora perdia-me no tempo a falar, mas reservo-me ao silêncio, para dizer as palavras mais belas de um olhar, que dêem a importância do significado dos sentimentos.
P.S- Esta e uma carta que comecei a escrever e terminei agora para enviar a alguém, que longe está de mim, mas perto do coração permanece. Que jamais esquecerei alguém que fez da minha vida se iluminar, fazendo dela um sorriso eterno!

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/06/carta-que-ja-devia-ter-dito-h-muito.html

Respiro nas tuas palavras... - 18Jun2008 19:47:00

Deste mote eu comecei a escrever. Inebriaste os meus sentidos, com o teu poema. Por pouco ficava sem ar, o meu coração palpitava como se fosse o último segundo da minha vida. Batia de tal intensidade que o meu corpo se arrepiava todo. Ao sentir o teu amor, um amor pelo qual todos desejavam amar. Amar profundamente, até as entranhas da nossa alma. Quando tudo se resumia a um olhar. As palavras não seriam necessárias. O silêncio ecoa mais alto, apenas um desejo consegue elevar mais a nossa paixão. A saudade aperta quando estás ausente. Mesmo estando ausente estás presente. És uma presença contínua no meu coração, ouve sem te ouvir, vê-te sem te ver, fala sem falar. Pois o amor é tudo isso, um jogo de emoções, em que nada mais importa senão poder ter a tua companhia e ser alegre com ela.
Palavras escasseiam, o segundo desapareceu, ficou o silêncio o bater do meu coração forte, olhando para as estrelas, parece que sonho acordado. Descreveste um belo sonho agora quero permanecer a sonhar acordado. Profundamente belo, queria dizer tanto, queria dizer para além das palavras, queria descrever o sentimento que senti ao te ler da primeira ver até agora. Mas elas fugiram, não me deixam pensar, faço força mas nada sai. Tudo fica por dizer, ou será que foi tudo dito, nada dizendo? Despeço-me do comentário, repetindo mais uma vez, arrepiado pelas tuas palavras a ecoarem-me na mente, no ouvido, no coração.
Cada segundo, se torna numa vida contigo. Um momento especial, inesquecível, imemorável, único. Falta-me acrescentar algo, a este texto. Falta-me uma palavra, que faça mudar o sentido do texto. Falta dizer que respiro dos teus poemas, alimento-me das tuas palavras, fazendo delas a minha sobrevivência. Recriando o sonho tornando real. Falta para acabar dizer obrigado, obrigado por teres feito parte da minha vida e agora já partiste saudade mas ficou o amor, para me encher por completo a minha vida e fazer dela um eterno sorriso.

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/06/respiro-nas-tuas-palavras.html

A arte de perder... - 21Abr2008 14:28:00

Na vida perdemos sempre algo
Mas como encaramos a perda
É que nos torna grandiosos ou pequenos!

Um sorriso que se perdeu
Num canto, dum olho húmido.
Tornando a felicidade,
Numa infelicidade dum momento!

Um caminho que parecia certo
Levava directamente ao coração
Perdeu-se com as palavras,
Num acto de razão!

Nada faz sentido na perda
Tenta-se compreender o incompreensível
Mas na perda, não há nada compreender.
Apenas e somente respeitá-la tal como ela é!

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/04/arte-de-perder.html

Um tu que se tornou num você - 18Mar2008 12:40:00

Hoje recordo-me dos momentos passados, confidências trocadas. Os sorrisos, que pareciam trazer com eles a felicidade eterna. Os olhares que diziam mais que mil palavras. Os gestos trocados com ternura, algo unico que jamais se esquece. Tudo ficou num passado, agora parece longínquo, mas não é assim tão longínquo. A nossa mente é que vive intensamente, como se fosse o último segundo de vida. Agora recordo com saudades, um tu que se tornou num você.

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/03/um-tu-que-se-tornou-num-voc.html

Loucos por Prazer - 17Mar2008 14:17:00

Hoje apetece-me escrever algo que te envolva comigo, algo que te faça sentir feliz perspectivando a minha presença.
Não sintas a vergonha de estar ao pé de mim, não penses que estás a mais, apenas deixa que a vontade te envolva em mim.
Escuta este silêncio murmurado por um único momento, aquele que tanto prazer nos deu e que as palavras não permitem decifrar.
Tentei desenhar sensações mas isso tornou-se demasiado difícil, mas mais difícil foi transmitir o intransmissível sentimento descrito na utopia das palavras fazendo delas um sentimento único, levando-te onde os outros tentaram levar-te, mas só eu consegui...
Tudo nos passou pela cabeça, mas foi ao descer bem devagarinho pelos nossos corpos, que tivemos o nosso prazer, os picos foram exactamente no nosso coração, nos nossos peitos.
Atingindo o clímax no meio das pernas, suspirando, gemendo que nem uns loucos por esse sentimento abafado pelo silêncio de um quarto que não nos disse nada e serviu apenas para satisfazer esse sentimento louco. Loucos fomos por querermos algo mais, não apenas o devaneio de um sentimento de uma noite.
Agora sento-me numa secretaria, tento escrever aquele sentimento que foi teu e meu e olhando para trás vejo ainda o suor a pairar no quarto, suspirando por te ter novamente!
Sabes porque te digo isto agora?
Porque o anseio que sinto bater-me no peito é por ti. Não foi só o calor de uma noite, um roçar de corpos, uma noite de sexo louco. Foi o transmitir de sentimento que pensei terem fugido de mim, mais que o sexo foi o amor que transmitimos um ao outro.
Recordo a insónia daquela noite iluminada por palavras mágicas, trocando carícias como apiedando o animal selvagem que existe na nossa alma e teimava revelar-se por inteiro, na escuridão da noite.
Cautelosamente passava com a minha língua pelo teu corpo abaixo excitando-te cada vez mais, embrenhando-me nos teus seios como um louco perdido pela salvação.
Ah! Como manobrava a rigidez dos teus seios e te impossibilitava os gemidos de loba apenas com as mãos.
A língua cálida continuava a descer ao encontro do cálice, onde todas as emoções transbordavam em proporções nunca antes imaginadas.
A cama tremia, ouvia-se o uivo imitado pelo vento e a chuva parecida incomodada à janela.
Mas só por uns momentos! O ruído do amor é ensurdecedor!
Tu rias, conduzindo-me com o teu prazer a patamares desconhecidos e sussurrando ao tom do coração :
- Amo-te !
O tempo fugia à medida que nos uníamos mais numa entrega descomedida como se não houvesse amanhã, como se fossem os últimos minutos e esses nossos.

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/03/loucos-por-prazer.html

Pai - 24Jan2008 21:11:00
Senhor!

Quero entender as palavras que tu escreves, mas não consigo...Fico a pensar nelas, durmo com elas, mas elas continuam a ser uma incógnita para mim como se de estranhos se tratassem... Elas não são iguais? Não falamos a mesma língua? Sim, mas não falamos a mesma linguagem, não temos a mesma sensibilidade, o mesmo tacto com as palavras... Eu deparo-me com elas a desafiar-me e tu é que as desafias...
Talvez seja a grande diferença entre nós. Enquanto eu as tento conhecer, elas a ti ousam conhecer o desconhecido, fazendo de ti misterioso e ao mesmo tempo sábio! Recorro-me do meu vocabulário, que, por sinal, não é vasto, nem tão rico, para te poder descrever mas fica sempre algo, reticências pelo meio, pontos de interrogação que fazem parecer um labirinto que onde só se sabe a entrada e a saída é algo que não existe! Perdoa-me por não conseguir manejar, reformular as palavras... Porque sempre me sinto vazio quando tento que elas sejam minhas, só minhas. Já basta ter-te partilhado, não poder ter-te junto a mim nas noites frias que a minha cama chama por ti e tu não estás. Já basta ter que sofrer em silêncio, soluçar em cima de uma almofada molhada. Levantar-me dessa cama e ir ver a lua, esperando que ela me dê um sinal de ti, que por mais pequeno que fosse já seria melhor que esta angústia. Deparo-me a tentar alcançar nas palavras o que em ti não consigo, preciso de te ouvir chamar por mim, ter-te junto a mim pela última vez para te dizer as palavras certas...
Sinto que partiste, porque sinto que aqui já estiveste, em pleno sortido das máscaras escondidas em que rodeávamos o tempo para podermos viver um para o outro? e agora, de tão confuso, de tão debilitado estar, já nem sei se foi ilusão ou um passado desejado?
Questiono-me. Questiono o meu Universo na busca da solução para o meu sofrer, para que consiga amainar a dor da tua ausência. Sei que nunca virás!
Guardo os papéis que são bocados teus, decorei frases feitas que tanto usavas nessa vida prática que sorridentemente levavas? Sim! Sonho em ser igual a ti!
Em criança eras a minha referência, como os anos passaram encontrei, pelo labirinto da vida, outras pessoas e em outras escritas descrevi-me fascinado pela herança que recebi.
Sabes Pai, quando a noite cai sinto-me outra vez aquela criança com quem brincavas, a quem davas tantos mimos.
Nessas noites de solidão em que o sono me foge, agarro-me a ti e desejo-te de volta, recorro aos teus escritos, para te sentir, para te ver e para que consiga chegar a cada mensagem tua.
Quero entender as palavras que escreveste? mas não consigo!
Paulo Afonso & Le Tab

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/01/pai.html

Dois caminhos... - 14Jan2008 22:17:00

Se eu pudesse
Seria o verso
Na espera que fosses
Reverso.
Se eu soubesse
Seria o caminho
Que atravessa feito
Alameda florida
O teu caminho,
Onde havemos
De nos encontrar qualquer dia.
Se eu...
Ao menos fosse o que querias
Que tivesse sido.
Tudo poderia
Ter sido diferente.
Tudo nos passou
Pela mente.
Ideais,
Fantasias
Passando agora tudo
De recordações.
De um verso
Esquecido
Dum caminho em branco...
De algo a dois
Que terminou
Num só!
Se eu...


Isabor Navarro & Le Tab

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/01/dois-caminhos_14.html


Natal, todos apregoam ao vento...vem ai o natal! Mas souberam o que quer dizer o natal verdadeiramente. Esta época, não passa mais de uma época para consumo. O consumo exacerbado, que as economias de escala deixam nas nossas sociedades. Aquele natal, onde todos se juntavam a mesa para saborear os doces, para juntar a família, o calor da lareira a ouvir os mais velhos a contar histórias mirabolantes.
Já lá vai esse natal, agora é a época onde a criança escolhe o presente que quer, reclama por não ter o tal presente. Os pais como não tem tempo para elas, compram o seu afecta a sua atenção dando-lhes tudo o que elas querem, esquecendo o mais importante o carinho, o gesto, uns minutos de atenção... Para onde caminharemos?
Acho que caminharemos para o mundo onde o dinheiro comprará tudo, onde tudo não passará de uma grande ilusão. Onde deixará de haver sentimentos, nem carinhos, nem manifestações nem gestos... onde a solidão reinará, a tristeza, a revolta, no fim de contas será uma luta pela sobrevivência, onde só o mais forte viverá...o resto morrerá...
Deixo uma pergunta será que vale a pena viver neste mundo? que se transforma a cada dia para pior.

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/01/natal-todos-apregoam-ao-ventovem-ai-o.html

Máquina de escrever - 12Jan2008 11:13:00

Escrevo por detrás um homem que fui, ou sei nem sei bem o quê. De uma máquina de escrever antiga. Muitas histórias poderia ela contar em voz alta, mas deixou que eu falasse por ela... Dizendo tudo o que queria dizer que nunca teve coragem para tal. Um ser que nunca fui tratado como tal, muitos ousaram passar as mãos por cima dela. Mas sem cuidado e o requinte que merecia. Talvez por não saberem distinguir entre tocar de leve e tocar com sensibilidade com sentimento. Manejando como se de um corpo tratasse, explorando as suas fragilidades, fraquezas, polivalências. Mas isso tudo para um leigo é tudo a mesma coisa. Para alguém que sabe do que fala, alguém que escreve por sentir necessidade de escrever, não alguém que escreve apenas por necessidade. Sabendo tocar, respirar com ela, levando a ela executar manobras delicadas, proezas nunca antes imaginadas. Olhando para ela não como um troféu mas como uma conquista de amor, deixando a tinta na pele da nua folha branco os seus filhos, a sua obra-prima. Fazendo deles confidentes de noites abafadas, húmidas, quentes, suadas por essa temperatura abafante mas excitadas com o desenrolar dos acontecimentos. Sentindo prazer a cada tecla tocada, como se da primeira vez se tratasse. Isto seria como ela queria ser lembrada...mas lembrarão-se dela assim?

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/01/mquina-de-escrever.html

Incauto - 06Jan2008 13:02:00


Sou apenas um homem rancoroso e mórbido....

Dado ao mísero que me cabe, só sobrevivo

Tendo n'outra vida, n'outra sorte me perdido



Um ar que sustive e que de boca aflora

Embora causa ao ser não tivesse,

E insiste o tempo sorrateiro,

Em não dar-me o descanso que mereço.



Vitimado, tendo a paz sorrateiramente roubada....

Por uma alma caridosa, vendo a minha não ser poupada

Não a sendo , ao gasto derramado pelo corpo

Minha mente n'outros cantos andam....



A dor fala por mim, salta diante dos olhos menos atentos...

Fazendo dela as páginas do meu livro ensanguentado..

Recriando factos que se apagavam da mente,

Desde então vivo por ela atormentado.


Torna a vida em puro sangue!


Junior A. & Le Tab (eu)

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2008/01/incauto.html

Falta-me algo... - 25Dez2007 12:48:00
Sinto a tua falta, sinto a falta de um olá que fazia-me sorrir. Aquele anjo que me fazia sorrir perante as adversidades, agora mais que nunca vejo que me falta algo, algo que outrora diria que era insignificante. Hoje digo que é essência para viver. Não peço perdão porque perdão não se pede evita-se, talvez nunca devia ter dito nada. Porque parece quando mais falamos, menos queremos falar. Algo se apodera de nós e nos deixa inconscientes, falta-me algo... falta-me algo...algo que um dia chamei de amiga, agora sinto ausência pois fiz com que se ausentasse espero que volte depressa, pois agora vejo como ela é importante, pois a vida sem amigos é como uma vida sem esperança!

Espero que me perdoes, por ter dito e feito o que jamais devia ter feito... Perdoa-me por um dia ter sido infantil, por um dia ter feito parecer que a nossa amizade era insignificante...


Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2007/12/falta-me-algo.html

Corro sem parar - 24Dez2007 17:13:00

Sei que não tenho jeito, nem encanto para te despertar atenção. Sou mais um que espera que por detrás desta imensidão se faça luz. Que um dia possamos caminhar juntos, sem desconfianças ou medos. Talvez um dia isto não seja apenas palavras, mas actos consumados e uma realidade que agora parece distante. Parece uma miragem ao fundo do túnel, parece estou enfraquecendo a medida que entro neste túnel. Não vejo a luz do dia, sussurra-me ao ouvido o silêncio desta noite.
Faz-me parecer pequeno com tamanha grandiosidade, tento resistir esta negrume solidão que se apodera de mim, sem eu dar conta. Instala-se de mansinho como se sobrevive-se da minha tristeza para viver. Corro até os meus pés sangrarem, corro até a minha respiração parecer tão ofegante que não consiga mais respirar, corro até que o meu coração palpite tanto que se esqueça de se lembrar, corro até o meu pensamento ficar cansado para dormir a seguir. Parece uma luta incessante, em busca de algo que perdi pelo caminho errante. Onde errei? Onde me perdi? Será que vou ter respostas que tanto anseio saber. Talvez nunca vá saber, se calhar quando souber será a minha morte, pois encontrei a razão da minha existência e poderei morrer feliz.
Não me canso de lembrar das pessoas que agora não estão presentes, não canso de pensar em amigos especiais que partiram mas jamais partiram do meu coração, do meu pensamento. Um desabafo? Uma despedida? Não sei uma reflexão de uma vida errante, uma vida sem rumo, que trato por tu, pois já perdi a vergonha a muito tempo, deixando de a tratar por você. Fico a meio caminho do nada, a meio caminho do tudo. Paro e penso corri, corro, mas algum dia me cansei de correr atrás de ti? De você? Da felicidade? Do amor? Nunca, mesmo que fique no meio deste túnel, mesmo que não veja a luz do dia, por isso hoje vou correr outra vez, esperando um dia descansar desta corrida incessante a qual dei o nome de vida, nome minha vida!

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2007/12/corro-sem-parar.html


Dizem que cresci, deixei de ser um miúdo para ser um homem. Já me aguento sozinho sem ajuda de ninguém. Até há quem diga que tenha picos de genialidade, nada de mais errado. Não quem dizem ser, não passa de palavras mágicas de ilusões, feitas através de palavras que escondem sentimentos.
Sou um mero errante das palavras, que mesmo sem saber um dia me cruzei numa esquina, numa tabuleta onde dizia entra. Alguém me disse entra, não tenha medo aqui vai se sentir em casa, aqui vai se descobrir, descobrir o poder das palavras. O mistério que se esconde por detrás delas. Folheei todos os livros, todos de autores desconhecidos, encantei-me devorei todos, até chegar ao último e perguntar não há mais?

O silêncio imperou e a voz ao fundo respondeu outra vez:
-Falta o teu!
- Mas eu não sei escrever, não sei o que é escrever, junto palavras, que formam textos e algumas pessoas dizem que é fica bonito!
-Eu era como tu, quando era novo, escrevia sem parar, filosofias, angústias, revoltas que atormentavam o meu pensamento! Para veres, até acordava durante a noite para escrever... Depois aprendia poesia, foi amor a primeira vista, ela me adorou e eu a ela. Fazíamos tudo juntos, parecia que éramos um par de namorados loucos de amor. No fim descobri que também não sabia escrever, mas sabes o que ela me disse?
-Não, diz por favor...
-Não faz mal meu amor, podes até nem saber ler, podes escrever mal, mas desde que escrevas com sentimento e aos poucos indo corrigindo os teus erros... no final serás idolatrado, não por escreveres para a elite, mas sim por escreveres para aqueles que ouvem o coração....
-Mesmo assim...tenho medo de errar, de as tratar as mal, de não conseguir ser bom com elas. Tenho medo de as magoar. Fazendo mais mal que bem...
-Ai está, tu mostras ter sentimentos, primeiro vais ter de cair, aprende as tratar com carinho, aos poucos elas vão se tornar confidentes de ti...
-Porque é que não tens aqui ninguém conhecido?
-O que é ser conhecido para ti?
-Aqueles autores famosos e conhecidos por todos, além fronteiras...
-Meu caro amigo, aqui se vais para ser famoso esquece, aqui só a gente desconhecida, gente que mal ou bem tenta tratar por tu as palavras. Alguns fazem magia com estas, outros transportam-nos para o mundo dos sonhos. Outros mostram o que é amor, aqui poderás não encontrar fama, mas encontras tudo o resto que nesse mundo nunca encontrarás...
-Como poderei dizer ao mundo, onde encontrar este canto?
-Basta que digas, que sigam as palavras, os sentimentos, vão encontrar de certeza, espero pelo teu livro, aquele em branco que nunca escreveste, que anseio ler, devorando todas as palavras, pois sei que és capaz...
-Obrigado por me teres dado o teu ombro, por teres tido orgulho em mim, de confiares um pouco e dizeres quem és mesmo não dizendo o teu nome. Agora sei quem és, apesar de continuar a ser um mero mortal, um mero amador, quem nem poeta, nem o escritor o é, vive agora com o coração cheio de amor, por um dia te ter conhecido.
-Não digas isso, eu sou um mero também, abraço-te de braços abertos, recebo o teu carinho e retribuindo igualmente com toda a força, agora que vais não te esqueças, és um amador, quem sabe nunca serás famoso, mas um amador cheio de amor e sentimento.
Parti com alegria e espanto, nunca tinha visto tanta alegria e amor, em palavras, não eram meras palavras mas sim actos, sentimentos bem reais, para não imaginar que estava a sonhar. Quando sai , olhei para a tabuleta e vi aqui é o cantinho do lusos poetas, embora não haja famosos há muitos com vontade e que amam de verdade a escrita. Foi assim que espalhei ao mundo este cantinho onde realizei um sonho, o de escrever o meu livro em branco.
( se quiserem visitar este cantinho, deixo aqui o link: http://www.luso-poemas.net/)

Fonte: http://writer-words.blogspot.com/2007/12/livro-em-brancopara-todos-os-lusos.html